[{"data":1,"prerenderedAt":404},["ShallowReactive",2],{"blog-\u002Fblog\u002Fquando-a-colica-nao-e-normal-endometriose":3},{"id":4,"title":5,"body":6,"category":388,"date":389,"description":390,"extension":391,"meta":392,"navigation":393,"path":394,"published":393,"readingTime":395,"seo":396,"stem":397,"tags":398,"__hash__":403},"blog\u002Fblog\u002Fquando-a-colica-nao-e-normal-endometriose.md","Quando a cólica não é normal: sinais de endometriose",{"type":7,"value":8,"toc":375},"minimark",[9,13,16,22,27,38,41,50,53,57,60,72,80,180,183,186,190,197,212,216,225,228,231,235,243,259,266,270,273,276,279,282,286,289,292,301,305,308,311,315,319],[10,11,12],"p",{},"\"Toda mulher sente cólica.\" É uma frase meio verdadeira, e é por isso que ela funciona tão bem: cólica menstrual é comum mesmo. O que não é comum é a dor que interrompe a sua vida todo mês, a que faz você faltar no trabalho e contar os dias com medo do próximo ciclo.",[10,14,15],{},"Se você já ouviu que era normal e voltou pra casa com a mesma dor, este texto é sobre onde fica essa linha. Sobre quando a cólica não é normal e merece investigação.",[17,18,19],"blockquote",{},[10,20,21],{},"Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da endometriose dependem de avaliação individual.",[23,24,26],"h2",{"id":25},"a-dor-que-quase-ninguém-leva-a-sério","A dor que quase ninguém leva a sério",[10,28,29,30,37],{},"Segundo a ",[31,32,36],"a",{"href":33,"rel":34},"https:\u002F\u002Fwww.who.int\u002Fnews-room\u002Ffact-sheets\u002Fdetail\u002Fendometriosis",[35],"nofollow","OMS",", a dor pélvica crônica de quem tem endometriose não é normal. E o público em geral, os familiares e boa parte dos profissionais de saúde não sabem disso. A OMS vai além: normalizar e estigmatizar essa dor afeta negativamente a saúde mental e o bem-estar dessas mulheres.",[10,39,40],{},"Ou seja, a sensação de não ser levada a sério não é impressão sua. Ela está descrita como parte do problema por um organismo internacional de saúde.",[10,42,43,44,49],{},"Os números brasileiros ajudam a entender o tamanho do silêncio. Em um estudo com 207 universitárias no Rio de Janeiro, publicado pela revista ",[31,45,48],{"href":46,"rel":47},"https:\u002F\u002Fdocs.bvsalud.org\u002Fbiblioref\u002F2020\u002F03\u002F1052453\u002Ffemina-2019-482-109-113.pdf",[35],"Femina, da FEBRASGO",", 84,1% relataram cólica menstrual. Entre elas, 41,4% classificaram a dor como intensa e 60,9% precisaram interromper alguma atividade física ou social por causa dela. Mesmo assim, os autores concluem que a maioria se automedica e poucas procuram atendimento médico para resolver o problema.",[10,51,52],{},"A dor é altíssima. A procura por ajuda, não.",[23,54,56],{"id":55},"quando-a-cólica-não-é-normal-primária-ou-secundária","Quando a cólica não é normal: primária ou secundária",[10,58,59],{},"Na ginecologia, a cólica menstrual tem nome, dismenorreia, e se divide em dois tipos. É essa divisão que responde à pergunta de quando a cólica não é normal.",[10,61,62,63,67,68,71],{},"A ",[64,65,66],"strong",{},"dismenorreia primária"," acontece sem nenhuma doença pélvica por trás. A ",[64,69,70],{},"dismenorreia secundária"," tem uma causa orgânica. E, entre as causas ginecológicas de dor pélvica, a principal é a endometriose.",[10,73,62,74,79],{},[31,75,78],{"href":76,"rel":77},"https:\u002F\u002Fdocs.bvsalud.org\u002Fupload\u002FS\u002F0100-7254\u002F2015\u002Fv43n6\u002Fa5327.pdf",[35],"revista Femina, da FEBRASGO",", separa as duas assim:",[81,82,83,98],"table",{},[84,85,86],"thead",{},[87,88,89,92,95],"tr",{},[90,91],"th",{},[90,93,94],{},"Dismenorreia primária",[90,96,97],{},"Dismenorreia secundária",[99,100,101,115,128,141,154,167],"tbody",{},[87,102,103,109,112],{},[104,105,106],"td",{},[64,107,108],{},"Quando começa",[104,110,111],{},"Poucos meses depois da primeira menstruação",[104,113,114],{},"A qualquer momento depois da primeira menstruação, especialmente acima dos 25 anos",[87,116,117,122,125],{},[104,118,119],{},[64,120,121],{},"Como é a dor",[104,123,124],{},"Chega junto com o fluxo e dura de 8 a 72 horas",[104,126,127],{},"Variável: pode mudar de momento e de intensidade",[87,129,130,135,138],{},[104,131,132],{},[64,133,134],{},"Outros sintomas",[104,136,137],{},"Náusea, vômito, dor de cabeça",[104,139,140],{},"Dor na relação sexual, sangramento intenso, sangramento após a relação",[87,142,143,148,151],{},[104,144,145],{},[64,146,147],{},"Exames",[104,149,150],{},"Físico e complementares normais",[104,152,153],{},"Mostram alteração na pelve",[87,155,156,161,164],{},[104,157,158],{},[64,159,160],{},"Histórico",[104,162,163],{},"Sem particularidade relevante",[104,165,166],{},"Endometriose na família, sangramento uterino anormal, cirurgia prévia",[87,168,169,174,177],{},[104,170,171],{},[64,172,173],{},"Resposta ao tratamento",[104,175,176],{},"Boa com anti-inflamatório e anticoncepcional",[104,178,179],{},"Pouca ou nenhuma",[10,181,182],{},"Nenhuma linha dessa tabela fecha um diagnóstico sozinha, e nem todas elas juntas fechariam. Elas servem para indicar que vale investigar.",[10,184,185],{},"O diagnóstico da dismenorreia é fundamentalmente clínico. Distinguir um tipo do outro depende de uma conversa detalhada sobre a sua história, de exame físico e, quando indicado, de exames complementares.",[23,187,189],{"id":188},"o-que-é-a-endometriose","O que é a endometriose",[10,191,192,193,196],{},"A endometriose é uma doença em que um tecido semelhante ao endométrio, o revestimento interno do útero, cresce fora do útero. Esse tecido provoca inflamação e formação de tecido cicatricial. A definição é da ",[31,194,36],{"href":33,"rel":195},[35],", que estima que a condição afete cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, mais de 190 milhões de pessoas.",[10,198,199,200,205,206,211],{},"No Brasil, a proporção é parecida. A ",[31,201,204],{"href":202,"rel":203},"https:\u002F\u002Fwww.febrasgo.org.br\u002Fpt\u002Fnoticias\u002Fitem\u002F2046-endometriose-doenca-afeta-uma-em-cada-dez-mulheres-em-idade-fertil-no-brasil",[35],"FEBRASGO"," aponta que a doença atinge uma em cada dez mulheres em idade fértil. O ",[31,207,210],{"href":208,"rel":209},"https:\u002F\u002Fdocs.bvsalud.org\u002Fbiblioref\u002F2020\u002F05\u002F1096077\u002Ffemina-2019-484-233-237.pdf",[35],"protocolo oficial da federação"," trabalha com uma prevalência entre 5% e 10%, e ressalva que os dados epidemiológicos variam bastante entre os estudos.",[23,213,215],{"id":214},"por-que-o-diagnóstico-demora-tantos-anos","Por que o diagnóstico demora tantos anos",[10,217,218,219,224],{},"Segundo o ",[31,220,223],{"href":221,"rel":222},"https:\u002F\u002Fwww.gov.br\u002Fsaude\u002Fpt-br\u002Fassuntos\u002Fsaude-de-a-a-z\u002Fe\u002Fendometriose",[35],"Ministério da Saúde",", a média entre o início dos sintomas e a confirmação da doença é de sete anos. O protocolo da FEBRASGO chega ao mesmo número, e a OMS trabalha com uma faixa internacional de 4 a 12 anos. Sete anos convivendo com a dor é tempo de sobra para organizar a vida inteira em torno dela.",[10,226,227],{},"As razões se somam. A OMS observa que os sintomas da endometriose são variáveis e amplos, o que dificulta o reconhecimento pelos profissionais de saúde. O Dr. Ricardo Quintairos preside a Comissão Nacional Especializada em Endometriose da FEBRASGO. Ele resume o efeito prático disso: o desconhecimento sobre a doença faz com que as pacientes passem de médico em médico.",[10,229,230],{},"Some a isso a dor tratada como parte da rotina feminina, e sete anos deixam de ser um mistério.",[23,232,234],{"id":233},"os-sinais-que-quase-ninguém-conecta","Os sinais que quase ninguém conecta",[10,236,237,238,242],{},"A cólica é o sintoma mais conhecido, mas está longe de ser o único. O ",[31,239,241],{"href":208,"rel":240},[35],"protocolo de endometriose da FEBRASGO"," lista como principais sintomas a dismenorreia, a dor pélvica crônica, a dor profunda durante a relação sexual e a infertilidade. E mais dois grupos, que costumam passar despercebidos:",[244,245,246,253],"ul",{},[247,248,249,252],"li",{},[64,250,251],{},"Alterações intestinais cíclicas:"," distensão abdominal, constipação, dor ao evacuar, dor anal ou sangramento nas fezes no período menstrual.",[247,254,255,258],{},[64,256,257],{},"Alterações urinárias cíclicas:"," dor ao urinar, sangue na urina, vontade frequente de urinar ou urgência para urinar no período menstrual.",[10,260,261,262,265],{},"A palavra importante aqui é ",[64,263,264],{},"cíclicas",". Um intestino que trava sempre na menstruação, raramente é levado para a consulta de ginecologia. Costuma virar assunto de gastroenterologista ou de nenhum médico. É justamente essa ligação com o ciclo que pode mudar a direção da investigação.",[23,267,269],{"id":268},"você-não-precisa-de-uma-cirurgia-para-descobrir","Você não precisa de uma cirurgia para descobrir",[10,271,272],{},"Existe um medo antigo que segura muita mulher na porta do consultório: o de que só a cirurgia revela a endometriose. Faz tempo que isso deixou de ser verdade.",[10,274,275],{},"O protocolo oficial da FEBRASGO é direto. A videolaparoscopia tinha, no passado, papel no diagnóstico da endometriose. Hoje, com o avanço dos métodos de imagem, ela é indicada para diagnóstico apenas em pacientes com exames normais e falha no tratamento clínico.",[10,277,278],{},"Na prática, a investigação começa pela suspeita clínica e pelo exame físico, e se apoia em exames de imagem. O Ministério da Saúde cita a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética de pelve com contraste. Os dois precisam ser feitos por profissionais com experiência específica nesse tipo de avaliação, porque o que se procura é sutil.",[10,280,281],{},"A própria FEBRASGO faz uma ressalva importante: os exames de imagem são muito eficientes para detectar lesões profundas e endometriomas ovarianos, mas as lesões superficiais só aparecem esporadicamente. Por isso a história que você conta na consulta continua pesando tanto quanto a imagem.",[23,283,285],{"id":284},"o-que-esperar-do-cuidado","O que esperar do cuidado",[10,287,288],{},"A endometriose é uma doença crônica. O protocolo da FEBRASGO recomenda acompanhamento ao longo de toda a vida reprodutiva da mulher. E é honesto sobre o objetivo do tratamento clínico: aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida. Não se espera a redução das lesões nem a cura da doença, mas sim o controle do quadro. A OMS registra o mesmo: não existe cura conhecida até hoje. Os sintomas, porém, podem ser tratados com medicamentos e, em algumas mulheres, com cirurgia.",[10,290,291],{},"Isso não é uma má notícia disfarçada. Quer dizer que o cuidado existe e é contínuo, em vez de uma solução única aplicada igual para todas. O que funciona para uma mulher pode não ser o ideal para outra. Depende dos sintomas que mais incomodam, da fase da vida, do desejo de engravidar e da rotina de cada uma.",[10,293,294,295,300],{},"O tema também avançou no país. Em 2025, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS dois novos tratamentos para endometriose: o DIU liberador de levonorgestrel e o desogestrel. A mudança veio pelas ",[31,296,299],{"href":297,"rel":298},"https:\u002F\u002Fwww.unasus.gov.br\u002Fnoticia\u002Fsus-vai-ofertar-novos-tratamentos-para-reduzir-progressao-da-endometriose-e-melhorar-qualidade-de-vida-das-pacientes",[35],"Portarias SECTICS\u002FMS nº 41 e nº 43",".",[23,302,304],{"id":303},"quando-marcar-uma-consulta","Quando marcar uma consulta",[10,306,307],{},"Se a sua cólica te faz faltar, se ela mudou de padrão ou se não melhora com o que você já tentou, vale marcar uma avaliação. Vale também se você já saiu de consultas anteriores sem se sentir realmente ouvida.",[10,309,310],{},"Você não precisa chegar com um diagnóstico pronto, nem provar que a dor existe. Basta contar a sua história inteira, com tempo, para alguém disposto a ouvir até o fim. Sete anos é tempo demais para descobrir que a dor tinha nome.",[17,312,313],{},[10,314,21],{},[23,316,318],{"id":317},"fontes","Fontes",[244,320,321,329,336,344,351,359,367],{},[247,322,323,324,328],{},"Organização Mundial da Saúde — ",[31,325,327],{"href":33,"rel":326},[35],"Endometriosis (fact sheet)"," (atualizado em outubro de 2025)",[247,330,331,332],{},"Ministério da Saúde — ",[31,333,335],{"href":221,"rel":334},[35],"Endometriose",[247,337,338,339,343],{},"FEBRASGO — ",[31,340,342],{"href":208,"rel":341},[35],"Protocolo de Ginecologia nº 32: Endometriose"," (Femina, 2020;48(4):233-7)",[247,345,338,346,350],{},[31,347,349],{"href":202,"rel":348},[35],"Endometriose: doença afeta uma em cada dez mulheres em idade fértil no Brasil"," (fevereiro de 2025)",[247,352,353,354,358],{},"Dall'Acqua R, Bendlin T — ",[31,355,357],{"href":76,"rel":356},[35],"Dismenorreia"," (Femina, 2015;43(6):273-8)",[247,360,361,362,366],{},"Berardo PT, Braga EB, Mayer TA — ",[31,363,365],{"href":46,"rel":364},[35],"A dismenorreia e suas consequências em estudantes universitárias no Rio de Janeiro"," (Femina, 2020;48(2):109-13)",[247,368,369,370,374],{},"Ministério da Saúde \u002F UNA-SUS — ",[31,371,373],{"href":297,"rel":372},[35],"SUS vai ofertar novos tratamentos para endometriose"," (julho de 2025)",{"title":376,"searchDepth":377,"depth":377,"links":378},"",2,[379,380,381,382,383,384,385,386,387],{"id":25,"depth":377,"text":26},{"id":55,"depth":377,"text":56},{"id":188,"depth":377,"text":189},{"id":214,"depth":377,"text":215},{"id":233,"depth":377,"text":234},{"id":268,"depth":377,"text":269},{"id":284,"depth":377,"text":285},{"id":303,"depth":377,"text":304},{"id":317,"depth":377,"text":318},"Saúde da mulher","2026-08-29","Quando a cólica não é normal? Entenda os sinais que pedem investigação, o que é a endometriose e por que o diagnóstico leva, em média, sete anos no Brasil.","md",{},true,"\u002Fblog\u002Fquando-a-colica-nao-e-normal-endometriose",7,{"title":5,"description":390},"blog\u002Fquando-a-colica-nao-e-normal-endometriose",[399,400,401,402],"endometriose","cólica menstrual","dismenorreia","dor pélvica","PmuzTlH4ut39qszJG_YwgJ1jjPaBy64m_tyEtxmzUXw",1789745243712]