Ovários policísticos: SOP agora é SOMP
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) mudou de nome para SOMP em 2026. Entenda o que é, os sintomas, como é o diagnóstico e por que a troca importa.
Se você já ouviu que tem "ovário policístico" e saiu da consulta com mais dúvidas do que respostas, este texto é pra você. Muitas mulheres passam anos achando que o problema eram alguns cistos no ovário, quando na verdade é uma questão hormonal e metabólica bem mais ampla. Tanto que o próprio nome da síndrome acabou de mudar.
A SOP agora se chama SOMP
Em maio de 2026, um consenso internacional publicado na revista científica The Lancet renomeou a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) para SOMP — Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (em inglês, Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome).
A decisão não foi de um grupo pequeno. Reuniu 56 organizações científicas, clínicas e de pacientes, com mais de 22 mil respostas de mulheres e profissionais ao longo de cerca de 14 anos de trabalho.
É uma das condições hormonais mais comuns na mulher. No mundo, atinge cerca de 1 em cada 8, mais de 170 milhões, segundo a Endocrine Society. No Brasil, a FEBRASGO estima que a síndrome atinja entre 5% e 21% das mulheres em idade reprodutiva.
Por que o nome mudou
O termo "ovário policístico" sempre confundiu. Ele dá a entender que a síndrome se resume a cistos nos ovários, e não é isso que acontece. Como resume a SOGIRGS, associação de ginecologia e obstetrícia do Rio Grande do Sul, "muitas mulheres e inclusive médicos foram levados a acreditar que a condição era definida pela presença de cistos nos ovários".
Na prática, não há um aumento de cistos anormais no ovário. O que existe é uma condição que envolve hormônios, metabolismo, pele, fertilidade e também a saúde emocional e cardiovascular ao longo da vida. O nome antigo encolhia tudo isso a um detalhe, e esse mal-entendido tem um custo real: diagnóstico que demora a chegar e tratamento que fica pela metade.
O nome novo, SOMP, existe justamente pra corrigir isso. Ele diz o que a síndrome de fato é: metabólica e de várias glândulas (poliendócrina), não apenas dos ovários.
O nome mudou. O diagnóstico e o tratamento, não
Aqui vale um alívio: por enquanto muda só o nome. Os critérios para diagnosticar e as formas de tratar continuam os mesmos. A troca vai sendo incorporada às diretrizes internacionais de forma gradual, com adoção completa prevista para 2028. Ou seja, ninguém precisa "refazer" nada por causa do novo termo.
Sinais que merecem uma conversa
Cada mulher vive a síndrome de um jeito, mas alguns sinais aparecem com frequência e valem uma investigação com calma:
- Menstruação irregular, ciclos muito espaçados ou ausência de menstruação.
- Acne persistente, pelos em excesso (hirsutismo) ou queda de cabelo.
- Dificuldade para engravidar.
- Sinais ligados ao metabolismo, como resistência à insulina.
Nenhum desses sintomas, sozinho, fecha um diagnóstico, e ter um deles não significa que você tem SOMP. Eles são um convite para investigar, não um veredito. Por isso a resposta nunca vem de uma busca na internet, e sim de uma avaliação individual.
Como o diagnóstico é feito
O diagnóstico segue os chamados Critérios de Rotterdam, adotados pela FEBRASGO. São três critérios, e o diagnóstico se confirma quando dois deles estão presentes:
- Menos de seis ciclos menstruais ao ano ou ausência de menstruação.
- Sinais de hiperandrogenismo, clínicos (como acne e pelos) ou de exame laboratorial.
- Imagem de ultrassom sugestiva de ovários policísticos.
Repare que os "cistos" no exame são apenas um dos três critérios, e nem sempre estão presentes. É possível ter a síndrome sem eles. Essa é uma das razões pelas quais tantas mulheres ouvem que "está tudo normal" quando, na verdade, o quadro merecia um olhar mais completo.
O cuidado é individual e de longo prazo
A SOMP não é uma condição que se "cura" e encerra o assunto. Ela se acompanha e se controla ao longo do tempo, e o cuidado bem feito muda a rotina e protege a saúde no futuro. Segundo a FEBRASGO, tratar a parte metabólica ajuda a reduzir o risco de síndrome metabólica e de doença cardiovascular na vida adulta.
O manejo costuma unir ajustes de estilo de vida, cuidado com o metabolismo, tratamento dos sintomas que mais incomodam e, quando faz sentido, o planejamento da fertilidade. O que funciona pra uma mulher pode não ser o ideal para outra. Um plano que faz sentido pra você depende da sua história, das suas queixas e das suas prioridades, e não de um protocolo igual para todas.
Quando procurar uma ginecologista
Se você se reconheceu em algum desses sinais, ou se já saiu de consultas anteriores sem se sentir realmente ouvida, vale marcar uma avaliação. A mudança de nome de SOP para SOMP é, no fundo, um lembrete de que essa síndrome sempre foi maior do que "uns cistos", e que você merece um cuidado à altura dessa complexidade.
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da SOMP dependem de uma avaliação individual.
Fontes
- Endocrine Society — PCOS name change (maio de 2026)
- SOGIRGS — A SOP mudou de nome para SOMP (maio de 2026)
- FEBRASGO — Síndrome dos Ovários Policísticos
- FEBRASGO / Assembleia Legislativa de SP — prevalência da SOP no Brasil (5% a 21%)
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